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Nas últimas décadas observamos uma melhor compreensão da relação entre o sol e o câncer da pele. Neste teto fica subentendido que falamos do melanoma e dos carcinomas basocelular e espinocelular. Tendo em vista essa associação, é razoável supor que a proteção dos raios solares possa diminuir o risco de desenvolvimento destes tumores. Apesar da origem comum, ou seja, uma mescla de fatores ambientais e genéticos, tais como latitude e cor da pele, sabe-se hoje em dia que o tipo de exposição solar varia na fisiopatogenia de cada um deles.

Ao melanoma atribui-se um risco maior causado pela história de queimadura solar. Quanto mais freqüentes e precoces as queimaduras solares, maior a chance de termos um melanoma. Tal fato pode ser explicado pela presença de um mecanismo de vigilância, que percebe alterações irreparáveis no DNA de ceratinócitos lesados pelo UVB, principal fração envolvida na gênese destes tumores. Quando este mecanismo percebe tais alterações, emite uma sinalização para as células lesadas, que induz a apoptose. A representação clínica deste fenômeno dá-se pelo eritema e descamação, e nos cfasos mais graves pelo eritema, dor, edema e formação de bolhas. Admite-se que esta mesma sinalização que induz a apoptose de ceratinócitos estimule os melanócitos a aumentarem sua produção de melanina, a fim de proteger as células ceratinocíticas viáveis, independente de terem sofrido, os melanócitos, uma lesão de DNA ou não. Assim então, correríamos o risco do desenvolvimento de clones malignos de melanócitos e surgimento do melanoma.
Com relação aos carcinomas, a fisiopatogenia difere do melanoma. A participação do UVA é mais importante, e enquanto para os espinocelulares a exposição crônica parece ser a causa, para os basocelulares isto ainda não está totalmente definido, embora se saiba da participação da mutação da proteína p53 induzida pelo UV na sua formação.
Visto isso, torna-se bastante sensato pensar que a fotoproteção diminui o risco do desenvolvimento destes tumores. Entretanto, e principalmente no que se refere ao melanoma, esta associação ainda não conseguiu ser totalmente comprovada, bem ora as evidências mais recentes, especialmente após a utilização de fatores de proteção mais altos, sejam bastante indicativas da eficácia do uso de fotoprotetores.
Cabe aqui ressaltar que a quantidade do fotoprotetor utilizada na mensuração do FPS que avalia apenas a proteção contra o UVB é de 2mg/cm2 de superfície corporal, o que representaria de 1/3 a ¼ do frasco do fotoprotetor em uso. Como ninguém aplica esta quantidade, devemos esperar uma proteção sempre inferior à presente no rótulo do produto. Portanto, devemos recomendar a fotoproteção sim! Sempre farta e regular, lembrando que proteção solar engloba outras práticas, como o uso de chapéus, camisetas, óculos e outros acessórios.
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